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Balanças Inerciais
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Teoria | Programação de Aula
Como fazer uma balança que não dependa da gravidade, isto é, que meça do mesmo
jeito, encontrando o mesmo valor, quer haja gravidade ou não, seja ela maior ou menor? Se
perguntássemos isso pro Isaac Newton há cerca de 400 anos, talvez ele respondesse
de imediato. É que somente a compreensão das leis que ele descobriu
(talvez "inventou" fosse o termo mais adequado), que possibilita imaginar uma balança
assim. E as turmas do 1o. ano dos Colégios Adventistas de Hortolândia,
Campinas e Paulínia
puderam verificar o "funcionamento" dessas leis nesse projeto bimestral.
O problema proposto era:
- Desenvolver uma balança não-gravitacional (inercial) que pudesse ser construída
com materiais simples, domésticos.
- Passar no teste do professor: medir, com ela, a massa de algo entre 1 e 5kg, errando no máximo
por 0,5kg.
E todos os grupos conseguiram! É claro que uns mais facilmente
que outros (devido à complexidade de alguns projetos), mas todos conseguiram. O padrão utilizado
por todos foi de 0,5kg, ou seja: essa era a precisão mínima de suas medidas (1kg; 1,5kg; 2kg; etc.).
A seguir você confere como esse pessoal imaginou tudo.
Em Campinas...
 Aqui, o projeto dirigido por Raphael talvez tenha sido o mais complexo
desenvolvido pelas turmas. Idealizado pelo grupo, contrataram um marceneiro profissional para
construir o projeto (por isso você pode verificar esse acabamento "chique no úrtimo"), embora
isso não fosse recomendado pelo professor - a idéia era fazer com sucata. Mas funcionou
muito bem: constitui-se de dois corredores para carrinhos sobre rodinhas de rolemãs, que
são empurrados pelos puxadores acoplados a molas idênticas. Num dos carrinhos (da direita), coloca-se
o peso desconhecido e no outro, as massas padrão (de 0,5 em 0,5kg). O "macete" na hora fazer
funcionar era permitir aos "empurradores" apenas um toque bem rápido nos carrinhos, posicionando-os
adequadamente para que isso fosse possível. Do contrário, se empurrasse os carrinhos durante
um tempo maior, eles adquiriam velocidades apoximadamente iguais, e o de maior massa andaria mais (ao contrário do
previsto pela teoria).
A segunda foto mostra o José Henrique e o Sillas apresentando,
orgulhosamente, o mais simples projeto desenvolvido por todas as turmas (e funciona muito bem!).
Digo "orgulhosamente" porque consideraram uma grande esperteza isso que imaginaram: dois cabos
de vassoura, o horizontal preso ao vertical por um simples prego, de tal maneira que possa girar
nos dois sentidos. Mas o projeto funciona na horizontal: colocando-se o dois objetos que se
queira comparar as massas (o desconhecido e o padrão), sobre uma superfície lisa horizontal, basta
empurrá-los com o cabo verde, estando eles eqüidistantes do ponto de rotação. Como em princípio
estarão dando a mesma força a ambos os objetos, aquele que tiver mais massa vai ficar para
trás (vai acelerar menos). Isso funcionaria muito bem no espaço vazio; mas como não fomos
para nenhuma estação espacial de gravidade ZERO para apresentar o projeto, tivemos que
fazer algumas adaptações: a área de contato dos objetos com a superfície plana deveria
ter o mesmo coeficiente de atrito, para que a força de atrito não fosse maior no objeto de massa menor (dando
um resultado contrário do esperado). Se o coeficiente de atrito fosse igual para ambos objetos,
a força de atrito seria maior no objeto de maior massa, dando o mesmo resultado. Alguns alunos,
sem entender esse problema, reclamaram: "Mas então essa balança depende da gravidade, pois o
atrito depende dela!". Mas note-se que se não tivesse atrito, e o experimento fosse feito
no espaço vazio, continuaria funcionando do mesmo jeito: o objeto de maior massa aceleraria
menos e ficaria para trás.
Este terceiro projeto dirigido pela Viviane e pela Raquel era muito
parecido com o projeto do Raphael (primeiro projeto, acima), sendo que no lugar dos corredores
tínhamos trilhos por onde os carrinhos com rolemãs corriam; e no lugar dos puxadores com molas
um objeto em T empurrava os dois carrinhos com a mesma força, com uma batida rápida. Mas as meninas não tiveram a
mesma sorte: um dos carrinhos estava com uma força de atrito muito diferente do outro, e sempre
andava mais, quer com maior ou com menor massa. Então, em momento posterior, tivemos que modificar
o projeto: ao invés de tentar empurrar com a mesma força, puxamos com a mesma força usando
elásticos idênticos presos aos carrinhos na mesma posição, e àquela madeira na extremidade esquerda.
Assim, o carrinho de maior massa ficava para trás, independente da força de atrito.
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Em Hortolândia...
 Este projeto da Gessik, Daiane, Charles e Bruno teve que passar por muitas
modificações até chegar à forma como ele é apresentado aqui. Primeiro o grupo havia imaginado
algo horizontal, e não vertical como se vê. Mas a estrutura que haviam construído não
estava suportando pesos maiores que 2kg, então tiveram que mudar tudo: os dois "pratos", que contêm
o objeto desconhecido e o padrão, ficam
pendurados por meio de braços ao suporte horizontal pelo qual o Charles está segurando.
Então o Bruno dá um batida rápida nos "pratos" com uma barra de madeira e pronto: o que subir mais
rapidamente
é porque tem menor massa... Aí, alguém interrompeu e protestou: "Mas então essa balança depende
da gravidade porque subir mais ou subir menos é a gravidade que faz!". Mas imagine essa balança
no espaço vazio: ao invés de subir mais ou menos verificaríamos qual prato gira mais rapidamente,
pois aquele que tivesse menor massa aceleraria mais sob o empurrão da barra de madeira.
Já este segundo projeto é semelhante ao que o grupo anterior
havia imaginado inicialmente e tiveram que mudar; mas as meninas Silvana e Laís S. não
tiveram o mesmo problema tecnológico: a balança que elas desenvolveram (com a ajuda forte
de seus pais), era bem firme. O funcionamento é idêntico ao anterior, apenas com a dirença de
que o movimento se dá na horizontal. Note-se que haviam confundido um item importante: haviam
deixado o eixo vertical inclinado, supondo que, ao deixar os pratos se moverem sob a ação da
gravidade, poderiam fazer as medidas... Esqueceram-se que não podia usar a gravidade!
Então colocaram aqueles "calços" na base para endireitar o eixo, e empurraram os pratos
com uma barra de madeira (veja a foto abaixo), dando um toque rápido. O prato que girava mais rapidamente era aquele que tinha menos
massa.
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Em Paulínia...
 A Juliana, Eduardo e o Alan projetaram esta
balança não gravitacional que vemos aí ao lado; como você pode ver, os dois carrinhos
são presos por elásticos grossos de roupa, e puxados até uma certa distância (igual para
ambos) e então... ZAZ! O caminhãozinho que chegar primeiro é porque tem menos massa, como
você pode entender na teoria. Aí basta ir colocando mais massa
no carrinho da esquerda, até chegarem juntos. Obtiveram um resultado muito próximo ao correto.
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 Nesta foto à direita você vê os sorridentes
alunos Vinícius, Liliane e Miquéias, explicando pra classe como funcionava a balança
deles... A variação para com o grupo anterior é que este não tinha elástico: deviam ser empurrados
com uma mesma força; o problema, já observado no projeto de Campinas era aplicar essa
mesma força. Deve ser uma batida única, forte e rápida o suficiente para não haver tempo de
acelerar ambos com a mesma aceleração (ao invés de força). Mas o grupo mesmo nem quis saber de
pôr a mão na massa; sobrou para o Juliano (veja foto abaixo), o "braço forte" da classe, fazer o serviço. E fez muito
bem! O resultado obtido também foi muito bom.
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