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Ônibus Espacial Columbia Explode faltando 16 minutos para a aterrisagem |
1o. de fevereiro de 2003.
Fontes:
Fórum - Comentários dos leitores:
>>Os americanos, escaldados nas águas ferventes das recentes tragédias, amargaram mais
este incidente: no dia 1o. de fevereiro, por volta das 9h locais (12h no Brasil) faltando
apenas 16 minutos para o pouso, explodia
o Ônibus Espacial Columbia, levando consigo 7 vidas humanas, entre as quais uma indiana e
o primeiro astronauta israelense. A NASA (Agência Aero-Espacial Norte Americana) ainda não sabe explicar
o motivo, mas já vários engenheiros haviam advertido o órgão das más condições da aero-nave com
22 anos de uso, tais como vazamentos, trincas, etc.. Quando do último lançamento (a viagem sem
volta para seus tripulantes), viu-se um clarão numa das asas, que foi identificado como o desprendimento
de uma peça cerâmica para o isolamento térmico da nave, mas que não foi tido como grave. É muito
provável que uma falha justamente nesta estrutura foi a causa da tragédia.
A Reentrada. Para entendermos o que pode ter ocorrido, temos que entender que o ônibus espacial
está inicialmente em órbita ao redor da Terra, numa altura maior que 150km (onde não existe
ar).
A partir da lei de Newton para a gravitação (que se resume em F = GMm/r², onde G é uma constante
universal, M é a massa da Terra, m é a massa da nave e r é a distância entre a nave e o centro da
Terra), igualando-a à força resultante centrípeta (Rc = mv²/r, onde v é a velocidade da nave),
podemos calcular a velocidade que a nave deve ter para permanecer na órbita: v² = GM/r, ou seja,
a velocidade não depende das características da nave, apenas de sua altura. Na altura mencionada
(150km), substituindo-se os outros dados (G = 6,7x10E7, M = 6x10E24 kg*) temos que a velocidade é
de aproximadamente 28.200km/h. Essa velocidade num lugar onde não existe ar é fácil manter, uma vez
que não existe resistência ao movimento que, por inércia (1a. lei de Newton), mantem-se constante.
Para voltar à atmosfera terrestre, deve-se diminuir a velocidade e em conseqüência a altura,
que como visto acima, depende diretamente daquela. Mas a nave deve reentrar num certo ângulo
chamada de "janela de reentrada", que pode ser entendido através de uma analogia.
Janela de Reentrada. É bastante conhecida aquela diversão entre crianças de jogar
uma pedra na água com certa velocidade e vê-la quicar várias vezes na superfície
da água antes de afundar. A técnica está em dar a velocidade e a inclinação correta ao lançamento
para que ao bater na superfície da água, a pedra quique. Para o ônibus espacial, deseja-se
exatemente o contrário: que o ônibus não quique ao colidir com a atmosfera. No entanto, não
pode entrar "de bico", pois o atrito com o ar aqueceria o fuselagem da nave a temperaturas de
fusão. Por isso chama-se janela: é o ângulo exato menor mas o mais próximo possível do
ângulo limite para o efeito de quicar. Se a nave entrar com ângulo menor que este, pode
desintegrar-se totalmente, e se maior, pode quicar de volta ao espaço, numa órbita não prevista.
No entanto, mesmo no ângulo exato, a temperatura externa da fuselagem pode chegar a 1500ºC.
Note que não é que a camada superior da atmosfera tem esta temperatura (como muitos pensam),
mas que é transmitido calor à espaço-nave por causa do atrito com o ar, naquela velocidade
enorme. Na verdade, a temperatura do ar acima dos 120km de altura é menor que -20ºC!
Isolamento Térmico. Aqui entra em cena mais um importante tópico da física: a termologia.
Por causa das elevadas temperaturas a que ficam sujeitas as partes frontais da nave, é necessário
um material cuja temperatura de fusão seja muito alta e que além disso se comporte como um
isolante térmico, impedindo que o calor se propague para dentro do ônibus espacial.
O isolante térmico pode ser conseguido com placas cerâmicas, à base de silício. A maior
dificuldade de usar esse material é que não é flexível, sendo necessário confeccionar
placa a placa (de cerca de 30cm²) com a forma exata para o local onde será colocada manualmente. Além disso, fibras
de carbono são utilizadas nas partes frontais ("bico" e asas). A NASA tem por praxe
verificar essa estrutura uma vez a cada 4 missões. No entanto, o problema que ocasionou
a tragédia pode estar exatamente aí: uma parte destas placas teria se desprendido ainda na
decolagem e prejudicado o isolamento térmico, provocando a explosão de mecanismos internos da
nave.

(*) Entenda a notação científica: exemplo: 6x10E7 = 6x10000000 = 60000000. Ou seja, "E7" significa "vezes 1 seguido de 7 zeros".
http://www.estadao.com.br/ext/especiais/columbia/explosao/, fotos, Estadão.
http://www.jt.estadao.com.br/editorias/2003/02/02/int028.html, cobertura de notícias com histórico
e outros dados técnicos (JT); basta ir clicando em "próxima notícia".
Meteorologia, sobre a estrutura da atmosfera -
temperatura.
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