Dimensões dos Planetas e Você

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Ptolomeu e outros antigos imaginavam que a Terra era o centro do Universo. E não é difícil acreditar nisso - aliás, é difícil provar o contrário. Se alguém lhe indagasse, você saberia provar que a Terra gira ao redor do Sol e não o contrário? Na verdade existe um motivo além da dificuldade cognitiva de se aceitar as evidências: o ser humano não é o centro do Universo? Não somos nós motivo da maior preocupação dos "deuses"?... Por que teriam eles, então, nos colocado em lugar menos privilegiado no Universo?

Baseado nessas respostas "óbvias" foi que o homem, durante muito tempo, acreditou que a Terra era o centro do Universo. Tudo começou a mudar quando Copérnico, ainda que muito discretamente, começou a questionar tais coisas: "Posto que haja concordância geral entre os autores em que a Terra está imóvel no centro do Universo, a tal ponto que julgam incompreensível e até ridículo pensar o contrário, se considerarmos a questão atentamente, veremos que não está de modo nenhum resolvida, e por isso, incontestavelmente não deve ser posta de lado." (Copérnico).

Hoje sabemos não estarmos nem no centro do Universo, nem no centro da Galáxia, nem centro de lugar algum: pelo contrário, à deriva na beira de uma galáxia que nem sequer é uma das maiores, num sistema que nem tem a maior estrela, num planeta que nem é o único ou o maior nem o central. Também na face da Terra os seres humanos erram nos continentes que bóiam sem rumo sobre placas tectônicas, e Darwin acrescentou o acaso da Seleção Natural ao nosso atual posto.

A isso tudo podemos unir a insignificância dimensional do ser humano diante das grandezas de "nossa casa". Para tal tomemos como base alguns dados a respeito do sistema solar:

Astro Diâmetro (km) Distância ao Sol (km)
Sol 1,4 x 10E6 -
Mercúrio 4,8 x 10E3 6 x 10E6
Vênus 1,2 x 10E4 1,1 x 10E8
Terra 1,3 x 10E4 1,5 x 10E8
Marte 6,8 x 10E3 2,3 x 10E8
Júpiter 1,4 x 10E5 7,8 x 10E8
Entenda a notação científica: 10Ek = 1 seguido de k zeros. Ex.: 2 x 10E4 = 2 x 10000 = 20.000.

Olhando para estes número eles nada parecem dizer. Mas e se os transformarmos em números que nos sejam sensíveis, como, por exemplo, centímetros ou metros? Ou, já que estamos usando essa tela, pixels? (pixel é a unidade de medida da tela do computador). Bem, vejamos... Convencionemos que o Sol tenha 500 pixels, teremos a seguinte tabela:

Astro Diâmetro (px) Distância ao Sol (px)
Sol 500 -
Mercúrio 2 2140
Vênus 4 39000
Terra 5 54000
Marte 3 82000
Júpiter 50 280000

Note que até podemos tentar colocar os diâmetros em escala, mas se o fizermos, as distâncias ao Sol ficam impraticáveis. Faremos em duas partes, então: primeiro os diâmetros e depois as distâncias ao Sol, sendo que para esta última, teremos que refazer em uma escala menor. Ora, desenhando os diâmetros na escala encontrada temos:
Mercúrio Vênus Terra Marte Júpiter

Mercúrio, com 1 pixel, é difícil de enxergar. A Terra não é muito melhor... Júpiter, o maior planeta, é privilegiado mas ainda é pequeno perto do Sol. E diz-se que o Sol é uma estrela de 5a. Grandeza, i.e., existem ainda quatro ordens de grandeza maiores que o sol!
Mas ainda não acabou: desenhemos agora a escala para as distâncias. Teremos que dividir os dados da última tabela por 500 e então teremos, sem nos preocupar com os diâmetros mas apenas com as distâncias:

(da esquerda para a direita: o Sol até Júpiter, seguindo a ordem das tabelas acima)

Imagine agora aquele tereceiro "grão de areia" (a Terra) girando ao redor do Sol, a 20m de distância! Somos realmente pequenos, não acha? Isso porque não falamos das distâncias ao centro da galáxia, de outras estrelas, etc.. E também nem vamos nos demorar imaginando qual o NOSSO tamanho diante de tudo isso...

Mas por que? Por que tão pequenos? Por que as Leis da Física nos escolheram deste tamanho? Por que não poderíamos ser do tamanho de estrelas, ou galáxias, e o Universo nos seria ainda assim uma mansão (longe ainda assim de um kitnet)?

Parecia estar pensando nisto quando disse o salmista:"Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, fico pensando... Que é o homem, para que dele te lembres?..." (Salmo 8:3). Mas note-se que este escritor mencionou os céus como algo que ele contemplava muito... Parecia até que ele conhecia as medidas acima! E ele mesmo, admirado, respondeu essa pergunta:"...no entanto, ...de glória e de honra o coroaste." (verso 4). Assim aqueles que crerem em um Deus criador, que ama o ser humano a tal ponto que, após ter criado esse imenso Universo com seus próprios dedos, se tornou como um de nós em Jesus Cristo, terão motivo maior de alegria. Não foi à toa, portanto, que também Copérnico, maravilhado com tais coisas, assim introduziu seu livro onde esmiuçava o movimento da Terra ao redor do Sol: "Porque o piedoso salmista não queria declarar em vão que ficou satisfeito através do trabalho do Senhor e exulta com as obras feitas pelas Suas mãos, não seríamos nós atraídos para a contemplação das coisas mais belas por este meio, como se fosse um carro triunfal?"


Bibliografia

Nicolau Copérnico, As Revoluções dos Orbes Celestes, trad. A Dias Gomes e Gabriel Domingues. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1984.

Bíblia Sagrada, Salmos 8 e 92


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