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Física e Trânsito: |
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Richard Philips Feynman (1918-1988), foi um físico
que ficou mundialmente famoso por suas contribuições ao ensino de Física, entre outras coiss (não menos importantes, como
por exemplo o prêmio Nobel de Física de 1965). O texto a seguir é um exemplo de como ele tornava a aparentemente simples
questão da velocidade em um complexo desafio ao raciocínio. |
Suponha
que um educadíssimo e calmíssimo guarda de trânsito tenha parado uma
jovem e decidida motorista que o tenha ultrapassado em alta velocidade.
Dirigindo-se à simpática motorista, ele avisa:
- Vou multá-la por excesso de velocidade. - E, para sua total e
completa infelicidade, completa: - A senhorita estava a 100 quilômetros
por hora.
A jovem, que não estava nem um pouco inclinada a pagar uma multa, responde no ato:
- Impossível. Como posso ter estado a 100 quilômetros por hora, se só
estou dirigindo, no máximo, há sete minutos?
O guarda (não esqueça, era educadíssimo e calmíssimo), com toda a paciência do mundo, afirma:
- Minha senhora, o que eu quis dizer é que se continuasse andando como
estava, em uma hora teria percorrido 100 km...
Mas a jovem não desiste e responde:
- No momento em que o senhor fez sinal para que eu parasse, eu tinha
tirado o pé do acelerador e, de fato, meu carro estava parando. Assim,
se eu continuasse como estava, jamais percorreria os 100 quilômetros em
uma hora, ou em qualquer intervalo
de tempo! Além disso, no quarteirão seguinte há um muro que corta esta
rua, impedindo o trânsito. Como então eu poderia percorrer seus 100
quilômetros?
O guarda atinge aqui o seu limite máximo de paciência e, tentando
conter seus impulsos mais primitivos, diz-lhe em tom alterado:
- Olhe, o que eu quis dizer é que o velocímetro do seu carro devia
marcar 100 quando eu lhe pedi para parar!
Dá-se então a crise total. A menina olha inocentemente para o guarda e afirma com muita calma:
- O velocímetro deste carro está quebrado e, de fato, não pode marcar
nada em absoluto, o que significa que não poderia marcar 100 ou
qualquer outra coisa.
O guarda, agora
pálido, fecha os dentes e, após um profundo suspiro, fala em tom grave,
mal conseguindo se conter:
- Certo! O
velocímetro do seu carro está quebrado e se a senhora continuasse
avançando como estava, terminaria por se chocar contra o muro no fim da
rua. Resta o fato de que, no segundo em que eu a vi, a senhora
percorreu inegavelmente 28 metros...
Portanto, vou multá-la por apresentar a velocidade de 28 metros por
segundo nesse intervalo de tempo!...
Muito provavelmente, você ache que isso já seria suficiente para fechar
a discussão, e talvez eu ache também, mas a jovem sentada à direção do
veículo não tinha a mesma opinião e, com um sorriso irônico,
contra-atacou o guarda, afirmando:
- Sim! Mas não há nenhuma lei que me proíba de andar 28 metros por
segundo. O que existe realmente é uma lei proibindo que eu ande a 100
quilômetros por hora!...
Finalmente, o equilíbrio emocional do guarda sofre ruptura total, enquanto ele grita:
- Mas dá na mesma! Na MESMA! Na MESMA!!...
E a pobre garota, agora assustada e quase aos prantos, ainda murmura:
- Mas, seu guarda, se fosse a mesma coisa o senhor não estaria gritando
comigo há 15 minutos, tentando justificar uma multa absurda...
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