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Homem é ferido por raio em tempestade em Sumaré/SP |
4 de fevereiro de 2003.
O raio acontece quando as cargas negativas do centro são atraídas para a base (um pequeno cálculo
com a fórmula mencionada acima vai mostrar que a força da região central para baixo é maior que
para cima, por que a menor distância - 15km para 5km -, compensa o menor valor da carga - +35C para
+5C; note-se que a dependência da distância é quadrádica enquanto que da carga é linear! logo a
probabilidade de o raio descer é maior, podendo, no entanto, acontecer de o raio subir para o topo). Quando
um fluxo de cargas começa a acontecer, o ar e a Terra abaixo fica ionizado positivamente pelo forte campo elétrico
produzido pelas cargas negativas que descem, formando um "caminho" para o raio descer. Este caminho
é sinuoso e ramificado por causa dos fortes ventos que surgem. Uma vez "escoada" a primeira
descarga elétrica, outras descargas acontecem pelo mesmo caminho, definindo melhor a gigantesca
faísca (ver foto da matéria, acima).
Fontes:
Fórum - Comentários dos leitores:
>>Um forte, rápido e localizado temporal com granizo atormentou o centro da cidade de Sumaré, interior de
São Paulo, alagando ruas e obrigando lojas e demais estabelecimentos fecharem suas portas por causa
da forte ventania. Carros foram arrastados pelas águas, e transeuntes tiveram que se esconder
rapidamente da tempestade. De feridos se tem notícia apenas de um homem que foi atingido por
um raio, fenômeno que teve forte manifestação nesta tempestade.
Infelizmente o perigo dos raios é subestimado e ignorado por muitos, o que vem causando a morte
de cerca de 100 pessoas a cada ano no Brasil. Esse número representa cerca de 10% das mortes por
raios no mundo, e é devido ao fato de que o Brasil é o país com maior incidência de tempestades
elétricas, segundo o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Mas porque países tropicais
têm maior incidência de raios?
Como surge um raio. A massas de ar quente contêm vapor d'água, e se movimentam conforme
as correntes de convecção geradas no planeta. Uma corrente de convecção se dá quando uma região
da Terra fica mais quente que outra, fazendo com que o ar mais quente, menos denso, suba a regiões mais altas
da atmosfera e o ar mais frio vá em direção a este ponto de menor pressão, onde o ar se tornou
mais rarefeito; temos assim uma corrente de convecção, na superfície terrestre, que vai da região
mais fria para a mais quente. E nas regiões mais elevadas da atmosfera, onde se formam alguns tipos
de nuvens, um fluxo de ar quente da região mais quente para a região mais fria. Quando uma massa de
ar quente (chamamos "frente quente"), encontra uma massa de ar frio ("frente fria"), o vapor de
água presente naquela pode sublimar, solidificando-se em pequenos cristais de gelo (não granizo,
que são maiores e vêm de gotas, inicialmente líquidas, que solidificam-se ao cair através da
frente fria).
Esses
cristais de gelo são, então, sujeitos as grandes diferenças de
temperatura ao percorrerem
a nuvem onde são formados, devido às duas frentes. No entanto, como o
gelo é um bom isolante
térmico, seu interior (núcleo) permanece mais frio do que sua
superfície externa, tanto mais
quanto maiores forem as diferenças de temperatura entre as frentes. No
entanto, devido ao efeito termoiônico (átomos mais agitados perdem mais
facilmente seus elétrons), corpos mais quentes perdem elétrons aos
corpos mais quentes, surgindo um desequilíbrio elétrico no cristal: seu
núcleo fica negativo e sua superfície externa, positiva (fig. A,
abaixo). Ao colidir com outros cristais e fragmentar-se a partir de sua
superfície, cristais menores são obtidos, mas
positivos (fig. B). Assim, os pequenos cristais negativos, com menor
massa, são levados ao topo da nuvem, permanecendo os núcleos, positivos
e maiores, na base da nuvem (fig. C). Restam ainda alguns cristais que
sofreram menos colisões, portanto mais pesados, superficilamente
positivos, na parte inferior à base da nuvem. As cargas acumuladas na
base pode chegar a +5C enquanto que na região central, -40C; no topo
acumula-se portanto +35C (situação final da nuvem - fig. abaixo) (para
se ter uma idéia da enormidade desta carga, um corpo com 1C de carga
atrairia um outro corpo com -1C, colocados a 1m de distância um do
outro, com uma força igual a 900.000.000kgf ou 900.000toneladas-força;
valor este calculado pela lei da atração eletrostática: F = kQq/r²,
onde k é uma constante universal,
Q e q são as cargas envolvidas e r é a distância entre elas).

Cuidados. Como a região na terra fica ionizada positivamente com a descida do raio,
certamente os pontos mais elevados na superfície da terra terão maior probabilidade de serem atingidos.
Além disso, Benjamin Franklin por volta de 1750 já havia percebido que as pontas tem maior
facilidade de atraírem cargas elétricas. Assim, uma pessoa em pé em um campo aberto torna-se um
alvo fácil para os raios, assim como uma árvore - daí o motivo para se evitar ambas as situações.
Energia e outros dados. Para se calcular a energia armazenada na nuvem típica acima,
considerando que as cargas em questão são -30C e +30C, uma vez que a carga negativa da nuvem vai
induzir a mesma de sinal oposto na Terra - aproximadamente; e a distância é de 5km - entre a base
e a Terra. Podemos então usar Ep = kQq/r, que dará o resultado em Joules; transformando em kWh temos
612,5kWh. Isso seria suficiente para abastecer uma residência de classe média-baixa por dois meses...
Se pensarmos que um raio dura cerca de 0,5s e que nesse tempo há um trânsito de cerca de 40C, a
corrente elétrica é de 80A numa potência de aproximadamente 5 bilhões de Watts (5GW) (compare
com seu chuveiro de 5000W...). Por isso, para não virar churrasco é melhor se cuidar!
http://planeta.terra.com.br/lazer/thiago0212hp/pp5mk/raios%20fotos.htm, fotos de raios.
http://eptv.globo.com/noticias/0402200317444247.asp, notícia de TV sobre tempestade em Sumaré (EPTV).
http://eptv.globo.com/noticias/2212200214343152.asp,
informações do INPE (notícia do EPTV).
Mais notícias: EPTV.com, procurar por "raio".
Sobre a formação do raio e poder das pontas: "Eletromagnetismo e Física
Moderna", Alberto Gaspar, Editora Scipione - São Paulo/SP, 2000.
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