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A CPFL e os Pára-Raios |
Nesse mês de março, o ProCon de São Paulo enviou um pedido de informação à Companhia Paulista
de Força e Luz (CPFL) com o objetivo de obter informações a respeito da colocação de pára-raios no Estado. Segundo o
ProCon, essa informação poderá ajudar nos processos de indenizações em casos de queima de aparelhos eletrodomésticos
que forem de responsabilidade da CPFL. Isso certamente economizará tempo do órgão, uma vez que das 40 cidades mais atingidas
por raios no Brasil, 34 estão no estado de São Paulo.
Por que um raio pode provocar a "queima" de um aparelho eletrodoméstico?
Um raio é uma faísca elétrica entre uma nuvem carregada eletricamente e a Terra (para entender, veja
esta notícia), ou seja, é uma corrente elétrica gerada com uma voltagem tão grande, que os elétrons simplesmente
"pulam" da nuvem para a Terra. Essa corrente elétrica fica entre 2.000 e 200.000 Amperes (compare com um chuveiro, o eletrodoméstico
que usa maior corrente nas residências: 30 a 40A).
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| Figura 1 |
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| Figura 2 |
Agora, veja: se a corrente elétrica foi produzida com esta tensão tão
alta que venceu a resistência do ar de alguns quilômetros de ar, certamente vai vencer a resistência do ar de alguns
centímetros que separa os contatos de um interruptor (figura 1).
Uma vez no aparelho, a corrente elétrica pode queimar o fusível e ainda assim "pular" para o circuito principal (figura 2),
queimando todos os seus componentes: o aparelho muitas vezes é completamente inutilizado, não sendo possível nem sequer
ser consertado.
Como um pára-raio pode ajudar? Quando Benjamin Franklin inventou o pára-raio em torno de 1750, já havia
entendido que o raio ocorria por causa da eletrização da base da nuvem. Em suas experiências percebeu o "poder das pontas":
ao eletrizarmos um sistema com esfera de raio menor ligada a uma esfera de raio maior, a densidade de carga elétrica
era maior naquela do que nesta (figura 3),
mesmo sendo possível que as cargas passem de uma esfera para outra. Isso se deve
ao fato de que a capacidade de armazenar carga é inversamente proporcional ao raio da esfera, R: C=k/R, onde k é a constante
elétrica. A carga que pode ser armazenada na esfera é igual a Q = C.U, onde U é a voltagem a que a esfera está submetida.
Se a esfera é condutora (metálica, por exemplo), a carga se distribui uniformemente em sua superfície, dando uma densidade
de carga por m² igual a d = Q/A, onde A é a area da esfera, que é igual a Pi.R². Substituindo uma fórmula na outra sucessivamente,
chegamos a uma fórmula que relacione a densidade de carga d com o raio da esfera R; vê-se imediatamente que se dobrarmos
o raio da esfera a densidade cai 8 vezes. Ou seja: quanto menor o raio da esfera, maior a densidade de carga e assim maior o campo
elétrico.
Por isso Benjamin Franklin imaginou que se houvesse uma ponta próxima à base de uma nuvem carregada, ligada à Terra
por meio de um fio condutor, as cargas elétricas "escoariam" pelo fio antes que houvesse o raio (veja a figura ao lado).
Daí denominar-se essa ponta de pára-raio. O que se percebeu com o tempo é que as pontas não tinham essa função,
mas uma vez iniciada a descarga elétrica, era para a ponta que o raio se dirigia ou dela saía. Ou seja, ao invés de
evitar os raios, percebeu-se que os pára-raios atraíam os raios para si, evitando que caíssem em outros
lugares desprovidos de segurança.
O que fazer no caso de tempestade. Para não ter os aparelhos queimados, o melhor mesmo é desconectá-los
da tomada, lembrando que não basta desligá-los (o estabilizador de um computador, por exemplo: se estiver conectado à tomada
e um raio cair nos fios próximos à residência, certamente tanto o computador quanto o estabilizador irão queimar). No caso
de queima, a CPFL deve ressarcir o valor do bem danificado, no caso de não ter tomado as precauções; para saber
o que fazer neste caso, procure o ProCon de sua cidade.
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